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Histórico

No início de sua colonização, o antigo distrito de Guarapuava recebeu o nome de Guarapuavinha. O nome “Ignácio Martins”, dado a Guarapuavinha, homenageia o Engenheiro que coordenou os trabalhos de construção de ferrovia na região. A estação ferroviária situada na sede do município leva também este nome, que, posteriormente, foi atribuído ainda à Agencia de Rendas e ao Cartório. A denominação “Ignácio Martins” foi alterada para Inácio Martins por decisão da Assembléia Legislativa do Paraná, em acolhimento a proposição do Deputado Antônio Lustosa, representante do distrito. A solicitação por escrito foi levada a Curitiba por Indalécio Pereira, antigo morador da comunidade dos Papagaios, que fez a viagem até a Capital em lombo de animais. O povoado costumava também ser designado 66, em clara alusão ao quilômetro de sua localização relativamente à ferrovia.

Em 25 de julho de 1960, a Lei Estadual nº 4245 criou o município de Inácio Martins, que teve sua instalação oficializada somente em 25 de novembro de 1961.  Foi nomeado prefeito o Sr. Valdomiro Ferreira Caldas, vereador do município de Guarapuava, que ocupou o cargo por aproximadamente sete meses até que assumisse o prefeito eleito. Nas primeiras eleições, concorreu como candidato único e foi eleito Prefeito do Município o Senhor Aragão de Mattos Leão, da UDN – União Democrática Nacional, que assumiu o cargo no dia 25 de novembro de 1961. Os primeiros vereadores do novo município foram: Francisco Ferrreira da Silva, Antonio Piakosk, Arcílio Massuqueto, Joaquim Luís de Andrade, João Pedroso de Oliveira Filho, Eduardo Horst, Azize M. Hauage, Antonio Aleixo Thomas, Cipriano de Maceno, Vitor Horny e Zacarias Moreira. A ocupação da região de Inácio Martins coincidiu com a chegada de imigrantes europeus ao Brasil, vindos principalmente da Itália, Alemanha e Portugal.

Em 1901, segundo estimativas, a população brasileira superava os 17 milhões de habitantes. Desses brasileiros, 64% viviam no campo e deles fazia parte a maioria dos mais de 800 mil imigrantes europeus que ingressaram no país só nas três últimas décadas do século XIX. Cerca de 580 mil haviam chegado do Sul da Itália para as regiões Centro e Sul do Brasil. A saga de corajosos desbravadores, que fez confluir pioneiros de outras regiões do Estado do Paraná e imigrantes de outros Estados e países, é responsável pela fundação de tantas comunidades, como a de Inácio Martins, que na época do início de sua colonização pertencia ao Município de Guarapuava e era habitada por indígenas, cuja presença remanesce em Reserva Indígena existente no Município. Apesar de todos os perigos e dificuldades, algumas famílias se dispuseram a habitar a região, cuja colonização teve início por volta de 1890, com a chegada de imigrantes, que receberam terras e se propuseram a explorá-las e delas tirar seu sustento. Os primeiros colonos eram de origem polonesa, inglesa, alemã e italiana e se ocuparam principalmente da extração da madeira e da erva-mate, dando origem a serrarias e à construção de inúmeros povoados.

A colonização extrativista favoreceu a distribuição das terras da região em grandes latifúndios, onde a maior parte dos proprietários era constituída por donos de serrarias, tinham como único e exclusivo objetivo explorar as terras para a extração da madeira abundante, especialmente imbuia e araucária. Os primeiros moradores brancos do município foram as famílias Stresser, Scheleder, Martins de Campos e Orives. As famílias Stresser e Scheleder eram de origem inglesa e alemã, respectivamente, e haviam imigrado para o Brasil em 1860, fixando-se em Cerro Azul e Curitiba. Em 1875, receberam do Imperador Dom Pedro II uma gleba de terras no município de Guarapuava. O local escolhido foi denominado Boa Vista. Essas terras correspondiam ao atual trecho de São Miguel até Itapará, na Serra da Esperança, numa extensão de cerca de 30 km.

O local onde os pioneiros fixaram suas residências em 1892 passou a chamar-se Guarapuavinha. Ali construíram casas, armazéns, cemitério... Por serem essas famílias de religião luterana e espírita, não houve inicialmente igreja católica no local. Mais tarde foi construída, no atual Rio Pequeno, a Capela do Divino Espírito Santo, onde o Pe. João Ponkgeba rezou a primeira missa. Com a chegada da estrada de ferro, Inácio Martins tornou-se fornecedor de lenha para abastecimento das locomotivas a vapor conhecidas como “Maria Fumaça”. O município era ponto de suprimento de lenha e água. Até os dias atuais existe caixa d’água com capacidade de oito mil litros, construída em concreto, próximo à linha férrea.

No início da década de 1940, com a paralisação temporária da construção da estrada de ferro, Inácio Martins, então ainda Guarapuavinha, tornou-se ponto de embarque e desembarque de bovinos e suínos, vindos principalmente de Laranjeiras do Sul, Pitanga e Guarapuava, e de desembarque de tropas do Exército que se deslocavam para outras regiões. Durante a construção de Brasília, saiu de Inácio Martins grande quantidade de madeira, principalmente “pontaletes” de pinheiro e imbuia, destacando-se como fornecedores Edgard Gomes, Slavieiro S.A., Zattar e Dellegrave Moreira. Com a desativação dos trens de passageiros, a linha férrea é atualmente utilizada apenas para o transporte de carga, especialmente madeira de pinus, cereais e combustíveis.

 

Fonte:

TABORDA, Diomedes de Oliveira. Inácio Martins: Aspectos Sociais, Políticos e Econômicos. Monografia. Guarapuava: UNICENTRO, 1994.

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